O Chile é um país de extremos, desde a sua geografia que contempla desde o deserto mais árido do mundo até aos glaciares da Patagónia, até à ilha habitada mais remota do mundo.

Santiago do Chile é a capital deste país incrível. Eu vivo aí, junto com mais 7 milhões de pessoas e quero compartir as 10 coisas mais loucas de viver em Santiago do Chile.

 

1 – Às vezes parece que estás em Tokio!

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Se há coisa que mais impressiona qualquer turista ou emigrante que chega a Santiago do Chile é o Metro! Funciona melhor que muitos na Europa, com uma frequência incrível, em hora de ponta cada minuto passa um comboio. Mesmo assim… nada se compara ao colapso da estação de metro Baquedano em hora de ponta!

O metro transforma-se num campo de batalha em que os que estão dentro do metro fazem força e gritam “Não cabe mais gente” e os que estão na estação à espera do metro já estão empurrando para entrar quando ainda nem abriram as portas.

2 – Sair de um elevador é mais dificil do que parece (aplica a mulheres apenas).

É impressionante o bailado que se gera dentro de um elevador à hora de almoço de um edifício de escritórios (em total oposição ao que acontece no metro). Os homens no Chile demonstram o seu grau máximo cavalherismo quando há uma mulher num elevador e se abre a porta. Todos se apertam junto à porta, põem a mão para a porta não fechar e ninguém sai do elevador. As mulheres têm de fazer o esforço roçar-se pelo mínimo espaço que já há no elevador desde o fundo do elevador (porque foram as primeiras a entrar!) até conseguir sair do elevador. Só depois os homens cavalheiros podem sair.

 

3 – Quando chove, cancelam-se as aulas e ninguém trabalha.

Sim… acontece mesmo isto! E não falo de uma chuva torrencial com tormenta, raios e trovões.

Uma simples chuva que dure mais de 3 horas pode criar o colapso nesta cidade. Como as estradas se (podem) inundar, deixam as crianças sair da escola mais cedo e naturalmente os pais das crianças têm de sair mais cedo dos seus trabalhos e consequentemente os empregadores são obrigados a liberar a saída para todos.

 

4 – Ninguém percebe mais de fusos horários que os chilenos.

Nao há  tiempo universal coordinado (UTC) que os governe! Os chilenos sabem melhor que niguém a que fuso horário pertencem ou deixam de pertencer. Cá eles decidem em que dia mudar a hora e decidem até mesmo, simplesmente, não mudá-la!

 

5 – O ketchup não vem nas embalagens vermelhas!

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Cuidado!! Se vão a algum restaurante vão deparar-se provavelmente com este conjunto de 3 embalagens de molhos: uma vermelha, uma verde e uma amarela. Muita atenção, porque o mais normal é que a embalagem vermelha não seja a do ketchup!! Todos aprendemos da pior maneira… depois de derramar bem o líquido vermelho em cima das batatas fritas e as provamos aprendemos logo que o vermelho é “ají” (picante)! A embalagem verde, essa é o ketchup e a amarela é a mostarda.

A mayonese, é um culto cá… muitas vezes orgulhosamente caseiras e entregues num prato a parte.

 

6 – Um terramoto de 6 graus na escala de Richter praticamente não é notícia!

O Chile está assente sobre uma falha sísmica e isso significa que tem uma actividade sísmica praticamente constante como se pode acompanhar na página do Centro Sismológico Nacional. Todos os dias há 3, 5, até mais de 10 terramotos ao longo da sua costa. Por isso, um terramoto de grau 6 que já é considerado “Forte” cá praticamente não é notícia. Se te apanha, por exemplo, no escritório enquanto trabalhas, as pessoas simplesmente param a olhar para os candeeiros a ver quando pára e assim que termina continuam com o que estavam a fazer como se nada fosse.

 

7 – Norte e sul são como água e azeite.

Santiago divide-se em Norte e Sul. Os que vivem no Norte nunca vão ao Sul. Fazem toda a sua vida no Norte: estudam, têm as suas casas, até os seus trabalhos, os seus ginásios, os seus centros comerciais, os seus stripcenters… não há qualquer necessidade de ir ao Sul. Os que vivem no Sul nunca vão ao Norte. Mais concretamente, o ponto de inflexao é a Plaza Itália (metro Baquedano). Muitos que vive no Norte sentem mesmo que abaixo dessa praça não há nada, porque nunca lá foram. Nota: o Centro de Santiago fica precisamente abaixo dessa praça.

 

8 – O colégio em que estudaste pode mudar a tua vida.

Uma das perguntas que mais se houve, mesmo em entrevistas de trabalho é sobre o colégio em que se estudou. O colégio compreende a escolaridade mais ou menos dos 6 aos 18 anos. Aí o mais provável é que conheçam o homem/mulher das suas vidas, façam os melhores amigos para o resto da vida, se casem (na Igreja do colégio quando religiosos) e… determine se conseguem aquele trabalho ou não. O colégio é o indicador número um do extrato social de um Santiaguino e pode definir o resto da sua vida… no Chile.

 

9 – Sanhattan y Chilicon Valley: Manhattan Chileno e o desejo de ser o Silicon Valley da América Latina.

Santiago snowed

É sem duvida algo que surpreende quando uma pessoa chega a Santiago. Santiago é muito cosmopolita (a norte, claro), com muitas torres altas, a torre mais alta da América Latina, muitos edifícios novos espelhados, um centro financeiro novo e em crescimento. Ao mesmo tempo é um grande promotor do empreendorismo. A sua estabilidade economica em comparação com os países vizinhos faz com que seja uma grande atracção para muitos empreendedores que chegam a América Latina. Programas como o Startup Chile, fazem com que reúna a maior comunidade de empreededores do mundo e muitos países repliquem este modelo.

 

10 – Gestores? Não! Engenheiros comerciais!

Já a minha avó dizia com orgulho que teve 3 filhos formados: um doctor, um engenheiro e uma professora. Todos sabem o clássico orgulho de ser um “Senhor Engenheiro”. No Chile não era diferente… o problema punha-se quando todos queriam ser engenheiros e ninguém escolhia o curso de Gestão. Como resolver esse problema? Tornando-os “Senhores Engenheiros”! Assim nasceu e prosperou a carreira dos Engenheiros Comerciais no Chile.

Written by racingmackerel
Portuguesa, Expat, viajeira apaixonada. Extrovertida, Sensorial, Emocional e Percetiva. Financeira de profissão. Psicóloga por curiosidade. Emigrante e viajante por paixão. Idioma: portuñol.