Já de volta ao Chile depois do sagrado Natal em Portugal!
É engraçado auto-analizar-se quando vivemos fora e vamos a Portugal por um par de semanas.
E também é facil identificar quem mais está na mesma situação, pois temos comportamentos realmente “típicos”.

Longe vão os tempos em que se identificavam os “emigras” pelo mega carrão. Agora somos muito mais subtís e refinados, provavelmente nem carro temos, mas há comportamentos que não falham:

 

1 – Pedir café de uma forma estranha

– “Olá”, quería um “expresso”, por favor.
–  Bom dia! Quer um “café”?
–  Isso… Obrigada!

Chegamos a Portugal e terminou o risco de vida quando pedes um café!
Não vai vir queimado, nem vai vir um balde cheio de “água suja”, nem vais ter de explicar que queres numa taça pequena, nem que ÓBVIO que não queres que metam leite à mistura, que isso é outra coisa!

E já não vais ter de pedir os “fancy coffees” que custam pela vida mas que ao menos sabem bem – acabaram os chemex, os drippers, as cafeteiras francesas que fazem café prensado, …

Estar de volta a casa é beber café barato, bom e sem complicações!

 

2 – Falar em público assumindo que ninguém entende o que estás a dizer

Quando vives fora habituas-te a falar de tudo e de todos em português assumindo que ninguém te entende!

Em realidade, se quiseres, nem um brasileiro te entende!

E isso é M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O!!!

Podes falar de quem está ao teu lado, podes falar da discussão que está a ter o casal na mesa do lado, do pouco profissional que é o serviço que te estão a prestar, do que tu quiseres….

Ahh espera… em Portugal todos te entendem!!! É preciso ter cuidado!!

 

3 – Ir aos Pastéis de Belém é sagrado!!

Os únicos! Os de Belém mesmo!!

Aqueles em que quem já sabe não faz a fila cá fora e encontra uma mesa ao fundo depois do labirinto de salas e corredores.

Aqueles que nunca comías quando vivías em Portugal, porque são para “turistas”, estão cheios de gente, ficam realmente fora de mão e estacionar ali à volta é um suplício.

Mas agora não podes imaginar uma visita a Portugal sem prová-los! É que são taãaooo bons!!

Acompanhados com uma Ucal de chocolate!!! Ucal de chocolate é tããoo bom também!

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4 – Jantares de Natal, Almoços de Natal, Pequenos almoços de Natal, Cafés de Natal, Lanches de Natal…

Jantar da turma da escola, da universidade, da família do pai, da família da mãe, da família do namorado, do grupo dos amigos de sempre, dos que já têm bebés que há que conhecê-los, dos que estão fora e só vêem no Natal, dos que não vi da última vez, dos amigos novos extrangeiros que estão de visita a Portugal, dos que conhecí fora e já voltaram…

Isto são férias?
Preciso de férias quando voltar!

 

5 – Rissóis, croquetes, pastéis de bacalhau, chamuças…

Aqueles salgadinhos que não se encontram em lado nenhum do mundo…
Ok, alguns encontraram-se, mas nunca são iguais, nem nunca os encontras todos juntos!
Então, há que aproveitar… acabas de almoçar, estás cheio, mas vais beber um café e vez uma chamuça…

E tens de aproveitar, porque “lá não encontras disto”!

E ves um croquete a passar e recordas-te de todas as vezes em que só querías um croquete e não havía… e lá vai mais um croquete!

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6 – Ir a Loja do Cidadão renovar algum documento com urgência

Vais visitar os tios, os avós e a loja do cidadão.

Está mais ao menos no mesmo nível!
Se não vais, vais-te arrepender mais tarde.
Sempre há algo que fazer!

Este ano tinha de renovar o Passaporte. Quando chego à loja do cidadão dou-me conta que o Cartão do Cidadão estava expirado.

Para renovar o Passaporte, tens de renovar o Cartão do Cidadão.

Para que dê tempo de então fazer os dois, isso obrigou-me a pedir com urgência.

O Cartão do Cidadão ficaría então disponível no dia seguinte para levantar no Campus da Justiça a partir das 17h.

Era eu e mais 400 pessoas à minha frente! :-O

Foram… 3 horas bem passadas no Registo Civil até conseguir o Cartão do Cidadão junto com: famílias com bebés para registar os bebés nascidos lá fora, crianças bilingues a correr de um lado para o outro com os pais a obrigar a dizer “Obrigado” e não “Thank you”, pais e filhos a ler em francês, mas a falar em português… todos a espera dos seus documentos com “urgência” para poder voltar às suas vidas lá fora.

 

7 – Sagres ou Superbock – alguma das duas é insubstituível

Podemos beber cervejas artesanais, cervejas belgas, alemãs, patagónicas, pale ale, lager,… o que quiserem chamar… mas nenhuma substitui (no meu caso) uma boa Superbock!!!
E top, top, é se for acompanhada de um bom prato de tremoços!

E por falar em tremoços, sabiam que o maior produtor mundial de tremoço é a Australia (82%), seguido do Chile (6% da produção mundial) e que aqui, no Chile, ninguém nunca se quer sabe o que isso é!!? Vai tudo para exportação!!!

Cá, nos momentos de mais desespero vamos à única loja que os vende em Santiago e compramos os tremoços que são produzidos no Chile, vão a Portugal embalar e voltam para ser vendidos aos pobres “emigras tugas” desesperados (e alguns espanhóis e alguns veganos loucos que de certeza não sabem comê-los mas que leram que fazem bem!).

tremoçosysuperbock

8 – Comer um croissant do careca

Sempre que como um digo… “Isto é insulto!!”
Isto é tudo açucar? Permitem vender algo assim?

Mas há que voltar religiosamente cada ano… recordar o bom que é aquele insulto!! 🙂

croissantcareca

 

9 – Engordar 3 kg numa semana

Se isto não te aconteceu… é porque comeste alguma coisa que te caiu mal ou te sacrificaste o tempo todo por não comer…

Que triste a tua vida!!

 

10 – Encher a mala com vinho, bacalhau e enchidos

E aqui começam as mil e uma técnicas de passar alimentos não permitidos na alfandega de destino!

Embrulhados em mil e um papéis; um bacalhau no cimo da mala para “deixar” caso reclamem e não o deixem passar e um bacalhau escondido no forro da mala bem lá no fundo – se ainda cheirar “foi do primeiro! mas obvío que não tens mais nenhum”.

Para os enchidos podem usar a mesma técnica… (não usei muito estas técnicas… mas há verdadeiros expertos no assunto!).

E vinhos, vinho do porto, ginja e amarginha embrulhados em toalhas e camisolas…

Tudo bem acomodado e pronto para ser devorado e partilhado com o resto dos amigos tugas, porque no destino… isto vai saber pela vida! 🙂

Written by racingmackerel
Portuguesa, Expat, viajeira apaixonada. Extrovertida, Sensorial, Emocional e Percetiva. Financeira de profissão. Psicóloga por curiosidade. Emigrante e viajante por paixão. Idioma: portuñol.