Como lhes contava no meu post anterior 5 dias na Patagonia para quem não é “profissional” do trekking, eu não sou mesmo “pro” do trekking. E mais do que isso dava-me mesmo um pouco de medo não ter as roupas adequadas, passar frio, ficar encharcada com uma chuvada ou que a roupa não secásse ou não ter o calçado ideal, então investi na preparação e falei com muitos amigos que já fizeram o circuito do W ou mesmo o O completo.

Os conselhos que me deram foram mesmo muito bons e funcionaram, por isso aqui vos deixo as dicas:

1- Aprende a palavra mágica que te salvará a vida: Gore-Tex

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Esta é a palavra que tens de ver nas tuas botas, pelo menos, para assegurar-te que não vais ficar com os pés molhados.

Eu fui em Outubro, mas dizem que todo o ano é igual, no mesmo dia vais sentir as 4 estações do ano. A nós aconteceu sair de manhã com chuvas e ventos de 90km/hora, passar por Sol e no dia seguinte acordar com neve! Pensa que vais caminhar por pedras, atravessar riachos, caminhar sobre a neve, saltar charcos de lama, com chuva…O Gore-tex é a marca registada de um tipo de textil-membrada que permite a transpirabilidad e garante uma grande impermeabilidade e garantem que “não vais molhar os pés!” e funciona mesmo!

 

2 – A regra das 3 capas

O segundo conselho de ouro que me deram foi a regra das 3 capas. Há que vestir-se com 3 capas! A primeira capa são uns leggings e uma camisola interior – tudo de materiais de secagem rápido. A segunda capa pode ser uma camisola polar ou um casaco quente almofadado e umas calcas de trekking impermeáveis – atenção que a maioria das calças são repelentes à água e não impermeáveis. A terceira capa, um casaco impermeável/corta-vento.

Há que ter em conta que quando começas a caminhar entras em calor e vais transpirar. Por isso é importante que sejam materiais transpiráveis e de secagem rápido, porque caminhar com a roupa humeda é muito desagradável e assim que paras ficas gelado!

3 – Não esquecer as mãos e a cabeça!

Não esquecer de umas luvas para as mãos. Para a cabeça eu recomendo os “tapa-orelhas” mais que os gorros. Levei um gorro e só o usei à noite quando saía do duche (também foi útil, para não apanhar frio com o cabelo molhado). Os “tapa-orelhas” permitem a cabeça arejar/transpirar e protegem o mais importante do frio e do vento: as orelhas!

Para o pescoço um cascol de cidade também não é ideal porque é pesado e vai fazer demasiado calor. Uma “gola” de ciclista é suficiente!

 

4 – Obrigatório levar no necessaire

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Não esquecer de levar lenços de assoar… quando começas a caminhar com o frio, passa o fenómeno do “pingo no nariz” e é uma constante todos os dias! Assim que leva lenços! Solução alternativa, papel higiénico, guardanapos ou o que servir – anda sempre com um par no bolso!

Consequência de andar sempre a assoar-se: vai secar-te o nariz, portanto leva creme hidratante. Vais agradecer por no nariz e nas mãos também!

Muito importante também: levar protector solar, factor 50 ideal, além de proteger do sol, também vai proteger a tua pele do frio! Não esquecer de por nos lábios também!

Por último e mais importante: leva esses pensos especiais para bolhas no pés. Sejam as botas novas ou velhas, se nao estás muito habituado a grandes caminhadas… vai ser imprescindível!

 

5 – Não compres água, leva só o cantil

Não vale a pena comprar garrafas de água! A maioria da água que vais ver (a escorrer) no Parque é potável! Podes encher o teu cantil de água nos refugios, pelo caminho nos riachos… não te vai faltar água!

 

6 – Peso que levas, peso que carregas!

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Pensa bem antes de pôr o que seja na mochila: evita levar roupa pesada, levar gadgets que necessitam electricidade, levar mais champoo e afins do que o que vais gastar nos dias que estiveres, “roupa bonita” para jantar… esquece!! Leva só o essencial!!

Os refugios, mesmo que acampes, têm algumas tomadas que podes usar, mas não são muitas!! Prepara e leva as baterias da câmera carregadas, de preferência leva mais que uma já carregada, se não, leva pilhas extra!

Enquanto a roupa vais dar-te conta que vais acabar por andar quase sempre com a mesma roupa e só vais mudando a primeira capa. Leva várias primeiras capas segundo os dias que vás, eu para 4 dias levei 3 e foi suficiente, tinha levado uma de manga curta que acabei por nunca usar, mas o tempo é tao variado que nunca se sabe e uma t-shirt nunca pesa.

 

7 – Uma capa para a mochila é essencial

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Verifica se a tua mochila tem uma capa para a chuva (podes comprar uma se não tiver)! E quando a ponhas verifica que apertas bem! Logo no primeiro dia aconteceu-me perder a capa da minha mochila com algum vento forte que eu nem me dei conta… e no dia seguinte fizemos 4 horas de trekking a chover… tive de improvisar com sacos do lixo a cobrir a mochila! Conselho: põe a tua roupa em sacos dentro da mochila, mesmo que se molhe a parte de fora, assim evitas que se molhe a tua roupa!

 

8 – Analgésicos e antinflamatórios – os teus novos melhores amigos!

Oxalá não necessites… mas leva um botequin com as coisas básicas! Depois de caminhar vários dias seguidos vão doer-te as pernas, os pés, as costas, o dedo pequeno, a garganta… a cada um pode doer uma coisa diferente… mas melhor prevenir que passá-lo mal! Conselho: leva o essencial para dores musculares ou inflamações caso te dôa algo!

 

9 – Levar ou não comida, eis a questão!

Nós fizemos a versão fina de acampar: acampámos com pensão completa! O que significa isso? Significa que contratámos o pequeno almoço, almoço e jantar nos refugios para não ter de carregar com a comida. As “cozinhas” dos refugios não têm fogão… se queres cozinhar tens de levar o teu gás, as tuas panelas, os teus pratos e os teus talheres… A pensão completa custou-nos aproximadamente 26.000 CLP e incluía um pequeno almoço no refugio, um almoço “lunch box” quando íamos caminhar (davam-nos uma bolsa de manhã com um sandwich, uma fruta, um chocolate, frutos secos e um sumo! bastante completo!) e à noite quando chegas ao refugio tens o jantar pronto à tua espera!

À uns pequenos supermercados junto aos refugios e servem para comprar algumas coisas essenciais se te esqueceres, mas são carissimos! Recomendo levar umas barritas e uns chocolates para o caminho comprados antes!

 

10 – Dólares e o papel de emigração para não pagar IVA

Um detalhe que faz com que poupes um 19% de onde dormires! Se fores turista (não residente), quando entras no país agora dão-te um talão que é o papel da emigração da PDI (Polícia). Se levares esse comprovante de entrada no país como turista e pagares com dólares ficas isento de pagar o IVA!! É de aproveitar!

 

(Bonus 11 – Relação amor-odio com as tuas botas de trekking)

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Depois de caminhar um dia inteiro com as tuas botas de trekking vais sentir um amor-odio por elas… por um lado (se forem como as minhas) vais sentir um amor e gratidão infinitos porque aguentaram mais não sei quantos km de caminho com chuva, neve, lama e não molhaste os pés, nem se destroçaram… mas à noite tudo o que vais desejar é descalçá-las!! Conselho: leva outros tenis ou havaianas para descansar os pés ao fim do dia! Vais agradecer!

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Written by racingmackerel
Portuguesa, Expat, viajeira apaixonada. Extrovertida, Sensorial, Emocional e Percetiva. Financeira de profissão. Psicóloga por curiosidade. Emigrante e viajante por paixão. Idioma: portuñol.