Os nossos amigos Pedro e Cristina vieram visitar-nos ao Chile!! 🙂

Tinham 9 dias… queriam ir à Patagonia, ao Deserto de Atacama, Valparaíso, Santiago… tarefa impossível?

O Chile é um país de contrastes, com uma extensão de 4.300 kms, que se estende desde o calor e aridez do deserto de Atacama (a norte) até aos glaciares da Patagónia (a sul), passando pelo centro onde se situa a capital Santiago, uma cidade cosmopolita com mais de 5 milhões de habitantes e Valparaíso banhada pelo Oceano Pacífico.

Tínhamos 9 dias e queríamos conhecer tudo isto! Tarefa impossível?

À partida todos diriam que sim, mas com poucas horas de sono e tudo planeado ao minuto lá conseguimos. Aqui fica o relato dessa viagem.

 

Dia 1 – Chegada a Santiago

Depois de 16 horas de vôo (com escala em S. Paulo), tínhamos a tarde para conhecer um pouco de Santiago antes de embarcamos para sul, em direcção à Patagónia.

Decidimos subir o cerro de San Cristobal, de onde se tem uma vista incrível sobre a cidade.

Esse foi o primeiro desafio da nossa viagem, pois, ao contrário da maioria das pessoas que sobe através do funicular, optámos por subir a pé (cá de baixo parecia baixinho!).

Estávamos tão confiantes que íamos subir rapidamente que nem comprámos água.

Vamos aos factos: o Cerro tem o seu pico a 880 metros, 300 metros acima de Santiago, o caminho a pé tem uma extensão de 3 Kms praticamente sem árvores, e estavam mais de 30 graus. Já referi que decidimos não comprar água? 🙂

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Foi duro mas recomendo a subida, numa hora mais fresca e com água. A vista lá de cima é realmente espetacular (também podem subir de funicular mas a vista não vai ter o mesmo encanto…).

Aproveitámos para provar o famoso mote con huesillos, uma bebida típica com pêssego em calda, que apesar de não ter bom aspeto até nem tem mau sabor (um pouco doce demais). Mas confesso-vos que não ficámos fãs.

Às 2 da manhã, apanhámos o avião para Punta Arenas (duração: 3h30).

 

Dia 2 – Punta Arenas – Puerto Natales – Refúgio de Paine Grande

Este dia foi particularmente intenso. Passámos grande parte do dia em transportes de todo o tipo.

Mas a aventura começou logo no aeroporto de Punta Arenas.

Tínhamos que apanhar um autocarro para Puerto Natales, que é a cidade da qual partem todos os tours da Patagónia. Só que esse autocarro parte do terminal no centro de Punta Arenas (é lá que se compram os bilhetes também), por isso tínhamos que ir desde o aeroporto até ao centro.

O problema é que àquela hora ainda não há autocarros para o centro, teríamos que apanhar um táxi.

Levámos algum tempo a perceber isso e entretanto o aeroporto ficou sem táxis :/

A ironia é que o autocarro que vai do centro de Punta Arenas para Puerto Natales passa no aeroporto, só que se corre o risco de ir cheio. O ideal é reservar pela Net www.busesfernandez.com e apanhá-lo mesmo no aeroporto (que, já agora, não tem wifi). Como não queríamos arriscar, acabámos por apanhar um táxi que tinha ido lá deixar alguém.

Tirando o facto do autocarro ter avariado inexplicavelmente durante cerca de 30 minutos a meio do caminho (no meio de nenhures, portanto), a viagem correu bem – o autocarro é muito confortável, deu para dormir o caminho quase todo.

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Chegados a Puerto Natales, tínhamos um transfer à nossa espera para nos levar ao Parque Nacional das Torres del Paine, onde tivemos que pagar entrada. Já lá dentro, apanhámos um Catamaran que atravessou o lago Pehoe e nos deixou no refúgio de Paine Grande.

O refúgio tem uma vista incrível sobre o lago e as montanhas, a comida é boa, o único senão é mesmo não ter água quente (acho que nunca tomei banho tão rápido na minha vida!).

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Nós dormimos numa camarata para 6 pessoas mas também podem acampar mesmo ali ao lado. Apesar de inicialmente termos pensado em dormir em tenda, acabámos por dormir em camarata e foi uma excelente decisão – com o cansaço que estávamos soube lindamente dormir num colchão de verdade.

 

Dia 3 – Paine Grande – Lago Grey – Puerto Natales

Acordámos bem cedinho (6h30) para fazer o trekking de 11 Kms que separa Paine Grande do Refúgio Grey, e no qual teríamos que estar até às 12h30, para apanhar um catamaran (marcado previamente).

O trekking foi maravilhoso, não estava muito frio, o céu estava limpo e vimos paisagens dignas de postal, desde lagos perdidos no meio das montanhas, a caminhos por vegetação densa e ocasionalmente florida, sempre com as montanhas cobertas de neve ao fundo do horizonte.

Foi sem dúvida um dos pontos altos da nossa viagem e que recomendamos vivamente.

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Deixamos apenas dois conselhos:

(1) lembrem-se que caminhar com mochilas às costas é muito diferente de caminhar sem mochilas. A minha mochila pesava 11 Kgs mas no final parecia que pesava 20!

(2) só há 3 indicações pelo caminho sobre quantos kms faltam para o fim e estão erradas!! Quando vimos a primeira, que dizia que já tínhamos andado 3,5 kms pensámos: “que rápidos que nós somos, isto afinal é canja”. Fomos na calma até ver a segunda a nos dizer que tínhamos andado apenas mais 1 km.

Uma das placas estava claramente mal (ou as duas) e por isso fomos obrigados a acelerar com medo de não chegar a tempo ao catamaran.

Acabámos por fazer o percurso em 4h15 (e andámos rápido na parte final), esqueçam as 3h30 que dizem por aí na Net.

O catamaran que faz o percurso do Lago Grey passa mesmo juntinho ao glaciar de Grey (uma das pontas do Campo de Gelo da Patagónia Sul, com uma área de 12 mil kms2!), enormes blocos de gelo junto ao lago, de vez em quando lá cai mais um bocado com grande estrondo.

É uma viagem de cerca de 2 horas que termina no Hotel Grey (ou melhor, num areal de cerca de 1 Km que ainda tem que ser percorrido, em luta contra ventos ciclónicos!), onde tipicamente há um transfer ou um autocarro para nos levar para Puerto Natales, à qual chegámos já ao fim do dia completamente exaustos.

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Mesmo assim, ainda fomos marcar tours para os dois dias seguintes – há uma zona de Puerto Natales onde se concentram as agências de tours todas.

Não vale a pena perderem muito tempo pois elas fazem todas os mesmos tours, com os mesmos horários e preços muito semelhantes.

Infelizmente para nós, todas elas já tinham esgotado o tour ao Perito Moreno (o maior glaciar do mundo), pelo que tivemos que optar pelo tour de barco até ao glaciar de Balmaceda (com almoço de cordeiro magalhânico incluído).

À noite comemos no Angelica’s, depois de termos desistido de esperar no (famoso…) Carlitos.

O restaurante tem excelente ambiente (talvez um pouco finório demais para a nossa indumentária), a comida é boa mas achámos caro demais (20 euros por pessoa, sem bebidas).

 

Dia 4 – Passeio de barco em Balmaceda

Não há grande coisa a dizer deste passeio, deu para passar o tempo mas não recomendamos a menos que não tenham nada melhor para fazer. Dá para ver os glaciares Balmaceda e Serrano que são muito menos interessantes que o glaciar de Grey.

Inclui um pequeno trekking (ver foto) e um almoço numa quinta a meio do caminho, onde comemos o típico cordeiro magalhânico (cordeiro assado com batata cozida).

Este almoço não é mau mas é aquele tipo de almoço turístico onde enfiam excursões inteiras num restaurante, espalhados por mesas onde se sentam 12 ou mais pessoas. Podem ver mais informações aqui.

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Como chegámos cedo a Puerto Natales, podemos comer um gelado na gelataria Barny, que aconselhamos vivamente – passa despercebida pois está um pouco afastada do centro mas vale a pena ir lá.

Podem ir comer o gelado para a praça principal (Plaza de Armas) enquanto vêem as crianças locais a entrarem em histeria de cada vez que o repuxo começa a deitar água.

 

Dia 5 – Puerto Natales e regresso a Santiago

Neste dia tínhamos planeado fazer o passeio a Balmaceda que acabámos por fazer no dia anterior devido à impossibilidade de visitarmos o Perito Moreno. Por isso, acabámos por descansar, dormir uma noite inteira pela primeira vez desde que saímos de Lisboa (yeahhh!) e passear pela bonita marginal de Puerto Natales que circunda o canal Señoret.

Almoçamos na mais famosa pizzaria de Puerto Natales chamada Mesita Grande.

Tem esse nome porque tem apenas duas mesas compridas nas quais se sentam toda a gente, uns aos lados dos outros, “encosta daí, chega para acolá”, estão a ver a ideia?

Sim, não tem muita privacidade mas aí vem a vantagem de sermos os únicos portugueses e podermos falar à vontade sem que ninguém nos entenda (já se sabe que nós entendemos os espanhóis, mas os espanhóis não nos entendem…).

Já agora, uma nota interessante: durante toda a viagem, os únicos portugueses que encontrámos foram os nossos amigos e uns amigos dos nossos amigos, em Santiago.

Mas voltando ao restaurante, aconselhamos vivamente comerem lá! As pizzas são ótimas e provámos, pela primeira vez, o famoso Pisco Sour, uma bebida com Pisco (alcóolico!), sumo de limão e gelo que estava ótimo. Se gostam de margaritas, vão gostar de certeza. Se não gostam, experimentem à mesma!

Aproveitámos este dia mais calmo para refletir sobre o que podíamos ter feito diferente.

Claramente gostávamos de ter feito mais trekking! Existe um percurso de trekking famoso, no parque das Torres del Paine chamado “W”, que se faz em 4 a 5 dias.

Provavelmente, se pudéssemos voltar atrás, teríamos esticado a viagem total para 12 dias e passado os primeiros 4 dias a fazer o “W” (em detrimento do Perito Moreno, Balmaceda e Puerto Natales).

Às 20h, lá apanhámos o autocarro de volta para Punta Arenas, para apanhar o avião da meia noite, que chegou a Santiago às 3h30 da manhã. Já agora uma dica: ao apanharem táxi no Aeroporto perguntem previamente quanto vai custar a viagem (ele provavelmente levará o taxímetro desligado).

No nosso caso, custou 17.000 CLP para ir até ao Centro. Para a duração do percurso (~30 min) não é caro.

 

Dia 6 – Santiago

Como nos deitámos depois das 4 da manhã, acordámos já a meio da manhã, para tomar o pequeno-almoço num sítio ótimo chamado Colmado. Explorámos o Cerro de Santa Lucia, um labirinto verdejante muito bonito – a vista não é tão boa como do Cerro de San Cristobal mas vale muito a pena!

Subimos também ao Sky Costanera, o edifício mais alto da América do Sul (300 metros, 61 andares).

É giro mas confessamos que gostámos mais do Cerro de San Cristobal (ver dia 1). Se calhar o facto de chegarmos lá acima em poucos segundos, num elevador ultra-rápido, e depois a vista ser dentro de uma estrutura de vidro, acaba por tirar um pouco a piada…

Ao final da tarde, fomos a uma das 25 melhores gelatarias do mundo chamada Emporio La Rosa. Com os quase 30 graus que ainda se faziam sentir soube lindamente!

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À noite, o jantar foi no restaurante República Independente do Pisco, com um ambiente muito giro (peçam mesa no páteo interior) onde provámos uns cocktails ótimos (com Pisco e sem Pisco) e comemos muito bem (o Ceviche é ótimo!).

Já agora, aproveito para referir que nos dias que estivemos em Santiago deslocámo-nos sempre a pé ou de metro. Ouvimos dizer que o metro enche bastante, mas como nós andámos fora das horas de ponta foi tranquilo.

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Dia 7 – Deserto de Atacama

Chegámos muito cedo ao aeroporto de Calama, onde apanhámos um transfer para S. Pedro de Atacama. Tínhamos reservado previamente por mail o transfer com a empresa Pampa.

Acabámos por chegar por volta das 9h – quase nada estava aberto mas podemos deixar as malas no hotel Miskanty (recomendamos! limpinho, atenciosos e o wifi funciona bem) e dar uma volta por esta pequena aldeia encantadora, onde a estrada principal é de terra (aliás todas são de terra) e só chove duas semanas por ano!

Nessa estrada estão muitas agências a vender tours – entrámos em 3 ou 4 mas era tudo mais ou menos a mesma coisa.

Percebemos que tínhamos um problema com os horários dos tours.
Nós queríamos visitar pelo menos dois sítios: o Vale de la Luna e de la Muerte e a Laguna Cejar, mas ambos os tours partiam às 16h e chegavam às 21h.

Ora nós íamos embora no dia a seguir (dia 8) às 20h, por isso teríamos que optar por um. Ficámos desanimados e incrédulos com a inexistência de tours da parte da manhã – porque razão havíamos de ficar sem nada para fazer durante a manhã quando os tours eram todos à tarde? Disseram-nos que assim víamos o pôr do sol mas para nós bastava ver o pôr do sol num deles!

Quando já estávamos resignados com a ideia de não ir à Laguna Cejar, disseram-nos que era possível ir até lá de bicicleta.

Inicialmente a ideia assustou-nos mas fomos informar-nos melhor. A distância são 22 kms de S. Pedro de Atacama até à Laguna Cejar mas o caminho é plano.

O aluguer das bicicletas (aqui) é ridiculamente barato: 3000 CLP por pessoa, com direito a capacete, câmara de ar sobressalente, lanterna e cadeado! E as bicicletas são boas! A nosso única questão era: será que aguentamos 45 kms a andar de bicicleta debaixo daquele calor (chegaram a estar 36º!)? Para saberem a resposta terão que esperar pelo relato do dia 8 (eheh!).

Entretanto, comprámos o tour do Vale de la Luna e la Muerte para essa tarde e fomos para o hotel descansar um pouco, antes de ir almoçar ao Sol Inti, que apesar de ter boas reviews no trip advisor nos desiludiu. A comida não era nada de especial e o serviço era lentíssimo. A única coisa positiva é que era barato.

Ás 16h lá apanhámos o bus que nos começou por levar ao Vale de La Muerte, onde caminhámos entre rochas e dunas, numa espécie de desfiladeiro lunar.

A essa hora a temperatura ainda era muito elevada (eles aliás recomendam levarmos muita água) e havia poucas sombras. Íamos com um guia que ía dando explicações em Espanhol e Inglês.

De seguida fomos ao Vale de la Luna, onde visitámos 4 locais diferentes. Primeiro fomos à pedra do Coyote, um sítio famoso para se tirar fotos fantásticas numa pedra que parece suspensa sobre um vale com uma vista incrível.

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De seguida, fomos para outro sítio onde tivemos uma experiência interessante a atravessar uma gruta (completamente às escuras e onde só passa uma pessoa de cada vez, tivemos que usar a luz de flash do telemóvel) e finalmente subimos a uma duna gigantesca (Duna Maior) com uma vista incrível sobre todo o vale (pelo meio passámos por um sítio chamado 3 Marias, totalmente desinteressante).

A maior parte dos tours acaba nessa duna, à hora do pôr do sol, e junta-se ali uma multidão de gente para assistir a esse momento mágico.

É impossível descrever em palavras a imensidão inóspita e ao mesmo tempo majestosa do deserto, enquanto vai sendo lentamente engolida pela escuridão que sucede ao pôr do sol.
Não percam este tour porque só pelo final vale bem a pena.

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À noite fomos jantar ao Adobe, um restaurante com excelente ambiente, serviço atencioso e comida ótima. Gostámos tanto que no dia seguinte voltámos lá para almoçar! Fica aqui a recomendação.

Deitámo-nos cedo porque no dia seguinte íamos ter um dia preenchidíssimo (e um dos mais interessantes de toda a viagem).

 

Dia 8 – Laguna Cejar e Termas de Puritama

Lembram-se de vos ter deixado em suspenso com a história das bicicletas? Pois é, arranjámos coragem e decidimos mesmo alugar as bicicletas para ir até à Laguna Cejar.

Porquê tanta vontade de ir à Laguna Cejar?

Porque não é uma lagoa qualquer, a sua água tem uma concentração de sal elevadíssima, parecida com a do Mar Morto.

Ou seja, quem lá toma banho fica com a sensação que está a flutuar. Nós tínhamos que experimentar isto!

Portanto, tomámos o pequeno-almoço bem cedo e às 8h estávamos à porta da loja de bicicletas munidos de muita água (5 litros!).

O nosso plano era ir bem cedo para evitar a hora de maior calor.

Munidos de um mapa que a loja nos forneceu (parecia desenhado por uma criança de 5 anos!…), lá iniciámos a aventura de andar durante 22 Kms pelo meio do deserto, durante os quais praticamente não vimos ninguém, não encontrámos casas ou árvores, apenas um horizonte a perder de vista que parecia sempre igual.

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Confesso-vos que ao fim de hora e meia começámos a ficar nervosos – será que estávamos no caminho certo?

Ou estávamos a enfiar-nos cada vez mais no meio do deserto, com a hora do calor a aproximar-se?

Pouco depois vimos uma árvore ao longe (a única num raio de vários kms) e pensámos que seria boa ideia descansarmos um pouco debaixo dessa árvore. Quando nos aproximámos, reparámos que estava um indivíduo debaixo da árvore! Mas de onde é que ele surgiu? Não havia nenhum carro, mota ou bicicleta por perto!

Quando chegámos ao pé dele, percebemos que era um ultra-maratonista que tinha chegado ali a correr(!).

Disse-nos que faltava pouco para a Laguna Cejar e que estávamos na direção certa, pelo que ficámos mais animados. De facto, passado pouco tempo lá chegámos (tempo total: 2h), estava lá um guarda meio ensonado – éramos os primeiros visitantes do dia!

Pagámos 15.000 CLP cada um, vestimos o fato de banho e lá nos enfiámos na lagoa. Que maravilha ter aquela lagoa toda para nós, sem carradas de turistas a acotovelarem-se para entrar na água. E de facto, comprova-se o efeito de flutuação (cuidado para não mergulhar a cabeça, o sal dar-vos-ia cabo dos olhos e dos ouvidos), é fantástico e até cómico – conseguimos flutuar de barriga para baixo!

Como éramos os únicos visitantes, tivemos que pedir ao guarda para nos tirar uma foto.

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No final, tomámos banho nuns chuveiros que eles disponibilizam para tirar o sal e pusémo-nos a caminho de volta. Eram nessa altura quase 11h e estavam a chegar os visitantes a seguir a nós (alguns de carro outros de bicicleta), mas já fazia bastante calor. Agora ia ser mais duro.

Atestámos os cantis e lá fomos, pelo menos agora sabíamos o caminho.

Demorámos um pouco mais de 2h – chegámos às 13h a S. Pedro de Atacama, já com cerca de 30 graus.

Tivemos apenas tempo de almoçar qualquer coisa rápida no Adobe (onde tínhamos jantado no dia anterior) antes de partir no autocarro das 14h em direção às termas de Puritama, um conjunto de pequenos lagos unidos por cascatas na encosta de uma montanha a 3500 metros de altitude.

Informação muito importante: a temperatura da água estava entre os 33º (lagos mais próximos da nascente) e os 27º (lagos mais afastados).

Era mesmo o que estávamos a precisar para relaxar da aventura matinal!

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E lá ficámos até às 18h, hora a que voltámos para S. Pedro de Atacama, para tomar um banho no hotel Miskanty (foram uns queridos e deixaram-nos tomar banho já depois de termos feito o checkout), comer qualquer coisa e apanhar o transfer para o Aeroporto.

Estávamos exaustos mas era uma exaustão boa: que dia fantástico!

Recomendamos que não vão à Laguna Cejar no tour mas sim de bicicleta – ganhem coragem que vale mesmo a pena e depois mimem-se com uma tarde relaxante nas águas quentes das termas de Puritama.

 

Dia 9 – Santiago e Valparaíso

No último dia da viagem, a ideia era conhecer Valparaíso, uma cidade junto ao mar, a 1h30 de Santiago (de carro/autocarro). Não tínhamos grandes planos para aquilo que queríamos fazer em Valparaíso excepto molhar os pés no Oceano Pacífico (a água é demasiado fria para ambiciarmos mais do que isso).

Em Valparaíso não há praia, tem que se apanhar um transporte para Viña del Mar, que é mesmo ali ao lado.

E neste singelo transporte residiu a principal aventura desse dia. Mas já lá vamos.

Para apanhar o autocarro de Santiago para Valparaíso, apanhámos o metro para Pajaritos, donde estão permanentemente a sair autocarros, só tivemos que esperar 10 minutos pelo seguinte.

Valparaíso é uma cidade literalmente virada para o mar, cheia de colinas (“cerros”) onde se acumulam casas fazendo lembrar ligeiramente as favelas (mas com casas normais).

Muitos dos cerros têm ascensores para subir, alguns deles bastante antigos – vale a pena experimentar! As ruas são muito movimentadas, muita gente a vender tudo e mais alguma coisa mas temos que confessar que não nos sentimos muito seguros.

Este foi o único sítio de toda a viagem em que não nos sentimos seguros, todos os outros nos pareceram tranquilos.

De qualquer forma não aconteceu nada, e pode ter sido apenas uma percepção errada da nossa parte. Pelo sim pelo não, tenham atenção às carteiras e mochilas.

Entretanto, decidimos descobrir o autocarro que nos ia levar até Viña del Mar. Lá os autocarros são pequeninos (para aí metade do tamanho dos autocarros lisboetas) e já antigos, com um ar rústico. Isso não os impede de fazer autênticas corridas pelo meio do trânsito caótico.

E enquanto observávamos tudo isto sai um indivíduo disparado de dentro de um autocarro a gritar “Viña! Viña!”.

Estava a chamar passageiros e nós lá entrámos, meio incrédulos com a situação. Sentámo-nos no banco da frente, o que nos permitiu ter uma visão completa da maneira como os autocarros trabalham ali. Basicamente é cada um por si.

Os autocarros são na realidade particulares e competem entre eles por passageiros. Por isso, “picam-se” constantemente e param onde houver gente para apanhar (ou seja, não existe o conceito de paragem).

As pessoas são assediadas para entrar nos autocarros, tudo isto num frenesim conduzido pela parelha “condutor endiabrado” e “indivíduo com ar lunático que vai com a porta aberta do autocarro a gritar para a rua”.

Entretanto, como não sabíamos onde sair (será que íamos ter que sair em movimento??), apontei no mapa do lonely planet o nosso destino que o “condutor endiabrado” conseguiu perceber enquanto ziguezazeava pelo meio dos carros rematando com um “no problem!”.

Bem, não sei se aquela paragem fazia parte do percurso mas lá nos deixaram perto do sítio que pretendíamos. E assim acabava uma das viagens mais loucas que fiz de autocarro, o qual apelidámos carinhosamente de “bus from hell”.

Lá molhámos os pés no Pacífico, a praia estava cheia de gente apesar do mar estar muito agitado, havendo até partes do pontão que estavam fechadas devido à forte ondulação.

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Entretanto juntaram-se a nós os nossos anfitriões de Santiago que nos levaram a um restaurante no alto de um cerro, onde ficámos numa esplanada com uma vista maravilhosa sobre o mar. O restaurante é o Fauna Bar e resumidamente é tudo bom, vão lá!

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Podem apanhar um ascensor para subir até lá cima, o ascensor sobe praticamente na vertical mas tem um ar de que se vai partir pelo caminho! 3 Pisco Sours depois estávamos a caminho de Santiago (o condutor não bebeu coitado…) para ainda queimar os últimos cartuchos no Maestra Vida, uma discoteca de salsa muito animada, embora o espaço fosse pouco para tanto salseiro.

Ainda dormimos umas horas antes de apanhar o avião bem cedo para Lisboa (via S. Paulo).

Tivemos pena de não ficar mais tempo, mas mesmo assim é extraordinária a quantidade de coisas diferentes que conseguimos ver e fazer em apenas 9 dias.

Viemos de alma cheia, com recordações para a vida!

 

Conselho: Vão ao Chile!!!

 

Written by racingmackerel
Portuguesa, Expat, viajeira apaixonada. Extrovertida, Sensorial, Emocional e Percetiva. Financeira de profissão. Psicóloga por curiosidade. Emigrante e viajante por paixão. Idioma: portuñol.