San Andrés a ilha do mar das 7 cores…

Aterrámos e apanhámos um taxi “qualquer” no aeroporto para San Luis.

Fui todo o caminho a espreitar para o casarío que se plantava junto à estrada.

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São casas abertas, janelas abertas, portas abertas que deixam ver tudo lá para dentro. (Eu só penso nos mosquitos… com tudo aberto, como sobrevivem estas pessoas?)

A maioria já de cimento, mas umas quantas de madeirinha colorida como esperava!
As pessoas descansam nos seus alpendres, parece que vivem mais fora de casa, que dentro! Passam pacatamente as horas sentadas nas cadeiras de plástico ou nas hamacas penduradas à porta das suas casas, ao lado da roupa estendida e rodeadas de palmeiras verdes.

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Sou demasiado curiosa para não aproveitar para olhar lá mais para dentro, afinal de contas está tudo aberto!

As casas são modestas, em vez de portas têm cortinas, a sala e a cozinha é tudo o mesmo e ao lado do frigorifico está a TV plasma gigante que não falta em nenhuma casinha.

Vêm-se caóticas por dentro!!

Como diría a Paula, “têm a casa toda desgraçada e estão a descansar cá fora no alpendre!”, mas assim vivem os isleños!

Percorrem pela minha cabeça pensamentos como “um tsunami varria isto tudo, já para nao falar de um terramoto…”

Defeitos de ter vivido no Chile… não te deixa disfrutar de “dormir com o som das ondas” sem pensar em… tsunamis!!

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Mas a música alta que (todos) o(s) taxista(s) põe(m) durante todo o caminho faz-te abstraír do que vês e transmite uma sensação de festa constante, misturada com “everything is gonna be alright” do venerado Bob Marley!

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Ficámos no hotel MS San Luis Village. Esse hotel em que até o Michael Teló e o Carlos Vives já fez umas filmagens de um video clip “Como le gusta a tu cuerpo” e parecía de sonho!

Vejam só as nossas expectativas:

Mas… “not everything was gonna be alright” e mal chegámos comunicam-nos:

“A piscina está em obras!”

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Bom… podemos viver sem piscina, afinal de contas, a praia fica mesmo em frente e a praia de San Luis é uma das melhores da ilha!
Sobrevivemos a não ter piscina!

Também sobrevivemos a que não houvesse água em garrafas para vender no Hotel e sobrevivemos a ir ao supermercado local comprar!

Sobrevivemos a um tour que nos venderam como que ía para Jonhy Cay e afinal não foi!

E ainda sobrevivemos ao senhor que organizava o restaurante para os pequenos almoços a cantar Laura Pausini logo às 6 da manhã em falsete!
Mas chegou esse momento em que me dou conta que realmente estamos no Caribe e que o paraíso não é feito para toda gente…

Foi o momento em que começamos a sofrer baixas!

Sim, eramos vários… e de repente… um desaparece…
Passado umas horas… desaparece outro!
Vamos jantar e somos cada vez menos!!
No dia seguinte ao pequeno almoço desaparecem novos!
No almoço a conta começa a ficar mais barata, duplicam-se as doses de arroz branco… A Coca Cola começa a ser a bebida de eleição de todos, alguns por prevenção, outros porque não há outra alternativa!

Xau mariscos, xau sumos naturais, xau saladas e frutas exóticas!

Pois é… é que o paraíso caribeño sem uma boa dose de horas na casa de banho, mal da barriga, não é uma experiência completa!

Há um momento na história em que pensamos que somos invencíveis e já temos todas as defesas de quem vive na “Colombia” e que nada de mal nos pode passar… mas esse momento acaba para todos quando há algo que nos cai mal!

Não todos sobrevivemos ao Caribe!

Nesse momento, a temática ao pequeno almoço começa a ser “Estás bem? Tu ainda te tens aguentado?”.

E ao almoço discutem-se as mil e uma teorias sobre porque X e Y ficaram mal e “eu que comi o mesmo estou bem”, “deve ter sido dos sumos de fruta, eles os dois beberam isso ao almoço de ontem”, “eu acho que é de lavarem os dentes com a água da torneira”, “eu acho que foi a cerveja que bebí depois de jantar que me parou a digestão”, “é das saladas! Não se pode comer nada cru aqui com este calor”, ou simplesmente… “foi azar!”.

E o bonito do paraíso caribeño termina quando o tema predominante é mesmo: caca!

 


Curiosidades sobre San Andrés:

  • Produzem-se 3 coisas na ilha: água filtrada, cocos e negros – esta última… sem dúvida!!
  • San Andrés tem 105 mil habitantes permanentes, mais turistas
  • Os primeiros a chegar a San Andrés & Providencia foram os ingleses e depois os irlandeses e depois os piratas e depois os colombianos! Então chama a atenção que a maior parte dos nomes sejam em inglês e não em espanhol!
  • Os nativos falam criolo, uma mistura de inglês com os seus idiomas nativos e quando faltam palavras entra o espanhol!
  • A temporada alta é dezembro-janeiro. Um taxista na noite de ano novo pode chegar a fazer 1 milhão de pesos colombianos (aprox. 300 USD).
  • O pirata Morgan nunca foi à ilha!! A Cueva do pirata Morgan é uma turist trap!!! Não me deixaram se quer ir lá!
  • O melhor de San Andrés: as praias! Ahh e ser a ponte para Providência!!! (a esta conclusão chegámos só quando pusémos o pé em Providencia!)
  • San Andrés é um dos pontos estratégicos da emigração ilegal para os Estados Unidos de América.
  • Dizem com pena que San Andrés já foi como Providencia! Mas San Andrés agora tem muita população que não é de lá… e “terra que é de todos, acaba por não ser de ninguém,” e “ninguém a cuida como sua” (os colombianos dizem muito isso também de Bogotá!).
Written by racingmackerel
Portuguesa, Expat, viajeira apaixonada. Extrovertida, Sensorial, Emocional e Percetiva. Financeira de profissão. Psicóloga por curiosidade. Emigrante e viajante por paixão. Idioma: portuñol.