Acho que devíamos criar um grupo e unir-nos: o grupo das mulheres que não estão nada convencidas para fazer mergulho e vão para não ficar a ver passar navios.

É mais… acho que somos uma maioria!!

E muitas vamos só acompanhar, zero convecidas de ir fazer o mergulho… e depois acabamos por lá fazer a dita imersão! Depois umas apanham o gosto e outras… nunca se adaptam a 100%.

Eu pertenço ao 2º grupo!

Em realidade não era a minha primeira vez… mas sou tão azelha para estas coisas que fiquei caladinha para receber todas as instruções (e atenção) como se fosse primeiriça!

É que a verdade… é que eu sou de essas pessoas que faz figuras tristes só para meter o material todo em cima! E que quando olha para baixo depois de ser claramente “atirada à força” para a água de costas fica a achar impossível submergir mais do que a cara!

A primeira vez que fiz o chamado “bautismo de mergulho” ou “mini curso” como chamam por cá, foi na ilha da Páscoa!

(Aqui vai um “recuerdo” da minha cara de susto enquanto compenso a pressão nos ouvidos)

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(Ai se o olhar matásse!)

Acho que no momento estava tão emocionada que nem pensei muito no termo de responsabilidades que tinha assinado (coisas como a “escola de mergulho não se faz responsável por perfurações pulmonares ” e afins…), com o acalmar dos tempos… aquilo ficou cá a bater…

E hoje… não me sentía lá muito corajosa!

Ía numa de acompanhar o Tiago e ficar por alí na praia!…

Mas depois vês toda a gente entusiasmada, malta que é a primeira vez também animada… começas a imaginar o que vais perder… e acabas por ceder!

Este segundo mini curso de mergulho foi sem dúvida melhor que o da ilha da Pascoa!

Esta vez, não lí os termos e condições… que aquilo é um filme de terror que ninguém quer ler antes de mergulhar!

Mas foi melhor, especialmente porque depois das instruções teóricas vamos para a praia com a água pelo peito e pomos em prática as várias técnicas que há que dominar: voltar a apanhar o respirador em caso de que se solte, tirar a àgua do respirador, tirar a àgua da mascarilha, compensar a pressão dos ouvidos…

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A experiência subaquática para inexperientes (descoordenados e maricas) como eu, achei que foi melhor na ilha da Pascua! É que na ilha da Páscua ía um instrutor por pessoa… e de esta vez… íam vários instrutores, para várias pessoas… mas não nesse rácio de 1 por 1.

(Verdade seja dita, não fazía falta um instrutor por pessoa! É muito azar se numa baixada eles juntam a um grupo de pessoas como eu! ahahahah)

Esta vez a imersão era com a ajuda de uma corda presa a uma boia!

Todos desceram agarrados à corda, excepto eu e a Valentina (outra mulher levada de arrasto pelo marido!).

Eu espreito lá para abaixo… vejo já todos de pé no fundo do mar… e penso… “aii… eu não consigo chegar lá abaixo com esta ligeireza! Preciso de me ambientar só com a carita debaixo de água primeiro!”.

Peço ao instrutor que me estava a ajudar a descer para ficar por alí um pouco e aí aparece o Daniel.

O Daniel é de essas pessoas com uma cara redonda de boa pessoa. O Daniel é o dono da escola de mergulho Sirius, que nos tinha sido recomendada pelo César!

E razão tinha o César… o Daniel “cuidava mucho a la gente”!

É que aturar a gente stressada com uns salpicos na cara todo o dia, e conseguir acalmá-las para que desfrutem do passeio, tem sem dúvida a sua arte!!

O Daniel agarrou-me pela mão e disse-me que íamos só nadar um pouco pela superfície! E assim foi!!

Fiz todo o tour pela mão do Daniel… que me ía apontando para as raias escondidas pelo meio do coral, para o cardume de peixes amarelos que se misturavam com outro cardume de peixinhos brancos, para uns peixes azuis flurescentes grandes, outros vermelhos, um par de peixes globos, uma manta raia gigante, uma serpente do mar…

O segredo para fazer mergulho já o conhecía: “não pensar tanto!”.

Quando começas a olhar para tudo o que está à tua volta e deixas de pensar “Estou a respirar? Devía respirar mais de vagar se não ainda fico sem oxigénio! Ai tenho a garganta seca, e se engulo entra água? Que barulho foi este? Deve ter sido o ar a entrar para o ouvido! Ai doi-me os ouvidos, tenho de compensar! Ai esta pessoa não me está a ver, vai-me dar com a barbatana e eu não gostei nada do exercício de tirar a água da máscara… Ai sou tão descoordenada, vou chocar contra o coral!”…

Bom… quando consegues abstraír-te de todos estes pensamentos e consegues desfrutar das vistas – que são incríveis e valem todo o sacríficio – e finalmente relaxas… aí está o encanto do mergulho!!

Foi muita emoção… então à tarde fomos explorar a baia de Fresh Water(ou Águas Dulces).

Todas as praias na Colombia são públicas, à semelhança de em Portugal, pelo que os hotéis têm de liberar as passagens até à praia.

Fresh Water é a zona da ilha com mais concentração hoteleira.

Tem um supermercado, várias agências, várias cabanas e hoteis e vários restaurantes. O mais conhecido é o Donde Martin ou Caribbean Place, que tem alguma animação com música ou danças típicas ou outras actividades de interesse cultural à noite!

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A baía só tem areia ao inicío, o resto é como se fosse uma falésia com vários acessos até à água.

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Mas é o lado da ilha também onde se vê o melhor por do sol:

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Informações de interesse:

Custo do mini curso de Mergulho: 200.000 COPs por pessoa
Duração aprox: 2 horas de introdução + treinos na água + 40-50 minutos de inmersão.
Escola: Sirius Diving (fica do lado esquerdo da South West Bay para quem está virado para mar!)

Written by racingmackerel
Portuguesa, Expat, viajeira apaixonada. Extrovertida, Sensorial, Emocional e Percetiva. Financeira de profissão. Psicóloga por curiosidade. Emigrante e viajante por paixão. Idioma: portuñol.