O primeiro impacto que tive quando o barco se aproximava de Colónia de Sacramento foi… “Uauuhhh que lindo, que verde tudo!”

Actualmente, Colónia de Sacramento, mais conhecida por “Colónia”, tem 2 semáforos, pouco mais de 20 mil habitantes, recebe 2 milhões de turistas por ano, sendo um 40% deles argentinos e foi reconhecida como Patromonio da Humanidade pela UNESCO em 1995.

Mas em 1494 quando se assinou o Tratado de Tordesilhas, que dividia as terras do Reino de Espanha e do Reino de Portugal na América do Sul, a península onde está hoje Colónia era o limite entre o que os Portugueses consideravam que ficava o seu limite.

Foi finalmente em 1680 que se fundou Colónia do Santissimo Sacramento, sob o governo do Reino Português, fundando assim a mais antiga cidade do que é hoje o Uruguai!

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Contudo, por essa altura os métodos de medição não eram os mais exactos e as interpretações levavam a dúvidas…

O Reino de Espanha não ficou muito contente com a ocupação portuguesa desse território seguiram-se anos de conquistas e reconquistas do território entre Portugueses e Espanhóis, ocupações e devoluções, construções e edificações ora portuguesas ora espanholas que se espelham no que é hoje a cidade de Colónia.

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Para entender melhor a história da cidade fizémos o Walking Tour!

Os Walking Tours (oficiais) duram 1 hora, começam no posto de turismo às 11h e às 15h de cada día e custam 150 UYU (pesos urugaios).

O casco histórico de Colónia é pequeno e faz-se tudo muito bem caminhando.

Passámos pela famosa Calle de los Suspiros de traçado português.

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Mas porque se chama Calle de los Suspiros?

Para grande desilusão minha, não há certezas sobre o porquê do nome da rua… há sim, 3 teorias possivéis:

1 – Que se chama Calle de los Suspiros porque os prisioneiros/condenados caminhavam por ela até chegar à praça onde seríam enforcados… por isso durante essa travessia davam os últimos suspiros – até me arrepio, não gosto nada desta versão!

2 – Que se chama Calle de los Suspiros porque a povoação rodeava a rua a ver os prisioneiros/condenados a passar por ela caminhando para a sua morte e a poavação suspirava ao vê-los passar – hummm, pode ser… mas também não gosto desta versão!

3 – Que se chama Calle de los suspiros porque havia vários bordeis naquela rua e quem passava ouvia os suspiros… outro tipo completamente de suspiros!! – voto nesta! claramente é a minha versão favorita!! (e a menos provável talvez!!)

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Mas como se pode distinguir uma Calle (rua) com traçado português de uma de traçado espanhol?

A resposta a esta pergunta e a como distinguir uma casa portuguesa de uma espanhola foi o que mais me divertiu e toda a visita, porque passei o resto do dia a dizer “Rua portuguesa ali”, “Calle espanhola alí”, “Casa portuguesa, claramente”, “Casa espanhola, sem dúvida alguma”.

Devido às diversas ocupações que teve Colónia os estilos misturam-se de uma forma única e facilmente se podem identificar.

Básicamente e com exemplos:

  • Se a rua está feita de forma a que a água escorra na parte central –> é uma rua portuguesa!
  • Se a rua está feita de forma concacava, mais alta no meio e de forma a que a água escorra pelos lados e com passeios –> é uma rua espanhola!
Exemplo traçado português

Exemplo traçado português

Exemplo traçado espanhol

Exemplo traçado espanhol

 

Para distinguir as casas é ainda mais fácil:

  • Se a casa tiver telhado de duas águas com telhas –> é uma casa portuguesa! (há coisas que nunca mudam!!)
  • Se a casa não tiver telhado –> é uma casa espanhola!

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Que mais se pode fazer em Colónia?

Há 8 museus que se podem visitar, mas não estão abertos todos os dias! Como máximo num dia só vais apanhar abertos 6 museus (têm horários intercalados – ora abrem uns, ora abrem os outros).

O bilhete compra-se no Museu Municipal, custa 50$ UYU e dá acesso a todos os museus e dura 2 dias! Atenção os museus só estão abertos as 11h às 16h30!!

Mas não fiquem muito preocupados se não conseguem ir a todos os museus – fontes fieis (o recepcionista do nosso hotel – cof, cof) disseram-nos, em tom de segredo, que os únicos museus que valem a pena é o Museu Português e o Museu dos Azulejos.

Fiquei a pensar no que será que ele diz quando são espanhois a visitar Colónia (“O que vale a pena é o Museu Espanhol!”…??)

Mesmo assim tenho de confessar que ao caminhar por Colónia senti-me bem mais perto de Portugal que de Espanha!

Hummm… não sei bem porquê:

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Deixem para último visitar o farol! O farol pode subir-se e tem vistas incriveis – chega a ver-se Buenos Aires e a skyline de Puerto Madero do alto do Farol! Está aberto até mais tarde (18h), custa 25$ UYU e são 118 degraus de subida… e os mesmo de descida!

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Além disso, a posição peninsular de Colónia faz com que tenha um dos pores do Sol mais bonitos do Uruguay pois vê-se o sol a pôr-se no rio… que quase parece um mar… coisa que no resto da Costa uruguaia não se consegue!

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Ahh e um ponto importante: a maioria dos restaurantes servem almoço das 12h-15h e jantares só a partir das 21h! Tenham isso em conta para 1) não ficar sem almoço e 2) não ir jantar cedo de mais… porque vai parecer uma cidade fantasma!

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Como chegar a Colónia vindo de Buenos Aires?

Há várias companhias que fazem a travessia do Rio de Plata (o rio mais largo do mundo!) e pode fazer-se em diferentes velocidades.

As principais companhias são: Buquebus, SeaCat e ColoniaExpress – para decidir usei este post de referencia: Como ir de Buenos Aires a Montevideo e acabámos por escolher a ColoniaExpress por horários e ser um preço mais razoável. Supostamente a viagem durava 1 hora e saía as 8h, mas acabou por durar mais de 2 horas e sair com mais de meia hora de atraso… Atenção a isso se tiverem alguma conexão com autocarros/onibus, pois pode gerar um problema. Dizem que a Buquebus é mais fiável de horários, mas não achei que se justificásse o dobro do preço!

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O terminal de autocarros/onibus fica mesmo ao lado do porto!

E para chegar  ao centro histórico não são mais de 15 minutos a caminhar desde o porto!

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Written by racingmackerel
Portuguesa, Expat, viajeira apaixonada. Extrovertida, Sensorial, Emocional e Percetiva. Financeira de profissão. Psicóloga por curiosidade. Emigrante e viajante por paixão. Idioma: portuñol.