A minha amiga Inês, amante de viajar, foi mãe… e afirma que:

É possível viajar com crianças!

Isto não é uma dica, é um mantra!
Estas 12 dicas baseiam-se na minha experiência directa de viajar com o meu filho que agora tem 19 meses e das histórias e experiências de amigos também com bébés.
São dicas dos 2 meses aos 24 meses…miúdos mais crescidos, depois conto como é!

 

Vacinas & afins

1. O pediatra manda!

Não custa nada confirmar com o pediatra a partir de que idade é que recomenda viajar de avião. Sendo que nem todas as crianças nascem a gozar da mesma saúde.

Sendo que não é o mesmo um voo de uma hora ou um voo de 12 horas… as opiniões dividem-se entre um mês e os 3 meses. Eu optei por esperar pelas primeiras vacinas dos dois meses e fazer um voo pequenino de 1.30h.

2. Continuando no tema das vacinas, evitar marcar férias e passeios encima das datas das vacinas.

Vacinar uma semana antes, esperar pelos sintomas e viajar depois.

 

3. Esta aprendi “the hard way”: levar sempre um termómetro e paracetamol.

Posteriormente o pediatra juntou a esta lista um antialérgico, para o caso de o bébé ser picado por algum bicho (no caso íamos para a Patagonia e fiel ao ponto nr. 1 consultámos antes com o pediatra).

 

Duração das viagens

4. Acrescentar um dia a mais a qualquer itinerário de viagem.

Deserto do Atacama em 3 dias…melhor em 4 dias. Um fim de semana em Buenos Aires… melhor se for um fim de semana prolongado.

Não vale a pena andar a correr, a papar kms e a despachar museus. Não vale a pena pretender que um bébé ou até uma criança pequena só porque vai de carrinho “não se cansa” e aguenta um dia inteiro na rua non stop… a única vez que fiz isso, foi em Buenos Aires, voamos de manha e passamos o dia todo na rua.

O meu filho que altura tinha 9 meses não se queixou, mas no dia seguinte estava meio febril.

Com um bébé que ainda é lactante, por exemplo, temos que parar aproximadamente 1h a cada 3-4horas. É preciso ajustar os passeios a essa realidade. É preciso mais tempo para viajar. É preciso deixar espaço para as sestas. É preciso fazer paragens nas viagens de carro, caso contrário a criança vai acabar a chorar e nós sem mais repertório de canções infantis para cantar.

Na verdade todos esses passeios intensivos de fazer muitas coisas em pouco tempo implicam muitas horas de imobilidade para a criança. Se para nós passar o dia sentado é uma seca e ficamos com o rabo quadrado, imagino que passar o dia preso na cadeira do carro, preso no carrinho ou preso na cadeirinha da mesa do restaurante também deve ser uma grandessíssima seca.

5. Regressar um dia antes.

Seguindo a mesma filosofia, é melhor regressar no dia antes de voltar ao trabalho. Isso de apanhar aquele voo na segunda de madrugada para ir directo do avião para o trabalho e poupar um dia de férias… ui, isso era dantes. A menos que queira que me liguem da creche a pedir para retirar a criança que está insuportavelmente irritável e chorona.

Com crianças pequenas é bom chegar no dia anterior, a tempo de lavar a roupa, voltar a reabastecer a despensa, cozinhar um par de refeições para mandar para a creche e, para mim o mais importante, deixar que a criança volte a dormir na sua cama no horário do costume. Não há nada como a nossa cama.

6. Adaptar o voo aos horários da criança.

Se for um voo de longo curso, acho que todos, crianças e adultos beneficiamos se for um voo nocturno. Entramos no avião, jantamos e tratamos de dormir o melhor possível num período em que de qualquer forma estaríamos a dormir lá em casa. Todos querem dormir, incluindo os outros passageiros!

Para mim, não há experiência pior do que estar a tratar de adormecer o meu filho que está a começar a ficar agitado, na esperança de que uma sesta ajude a passar o tempo, enquanto os outros passageiros fazem caretas e cú-cúus que só o agitam e despertam mais. E nós, os pais, ainda temos que por um sorriso na cara porque afinal de contas essas pessoas (chatas) estão a tentar ajudar e indirectamente a elogiar a nossa criança. Contudo, o que nós pais mais queremos naquele momento é que deixem o miúdo dormir, PORRA!

Nos voos mais curtos, o ideal para mim é apanhar um voo de manhazinha, ainda que se tenha que acordar um pouco antes do usual, de manha estamos todos mais bem dispostos, e com sorte, pouco depois de embarcar é hora de alguma refeição matinal o que ajuda a não doer os ouvidos por estar a mastigar.

7. Ter uma chucha ou algo de comer à mão…

Para ajudar a passar a pressão nos ouvidos durante a descolagem.

Organizar os passeios

8. Alugar carro e fugir dos tours como o diabo da cruz…

Não estou a falar do city tour hop-on hop-off que demora 1h a 2h. Ou de uma visita guiada a um museu…

Estou a falar daqueles tours de dia completo, em que nos vão buscar ao hotel de manha para visitar não sei o quê e depois levam-nos a almoçar não sei onde com danças típicas e logo ainda há mais atividades pela tarde e chegamos ao hotel mesmo a tempo de ir tomar banho e jantar. Tipo… 8h. Tipo uma jornada completa de trabalho?! Metidos num mini bus?! A trocar fraldas à pressa?! Com um bébé está fora de questão.

A ordem é mais ou menos esta. 1) Comprar as passagens de avião e 2) reservar o aluguer do carro com cadeirinha… e GPS se for preciso. E já está, passamos a ser os donos dos nossos horários, leia-se: os horários dos nossos miúdos. Eles é que mandam nisto tudo.

9. Acordar cedo e cedo erguer…

Para quem está a ler isto e a pensar horários, horários, horários, bolas esta mulher é uma freak da planificação, que seca!

Tenho a dizer o seguinte: calma, a coisa sai muito mais naturalmente do que possa parecer.

A improvisação pode parecer muito mais emocionante, mas as crianças são pequenas criaturas de hábitos. A grande beleza de viajar com crianças é que os miúdos acordam cedo. Acordam sempre cedo, de Segunda a Domingo, todos os dias do ano. Mesmo quando estamos de férias.

Alguns pais lamentam a perda da sua anterior vida de jantaradas, copos e noitadas, manhas preguiçosas e brunchs tardios, mas a verdade é que aceitar a nossa nova realidade como algo positivo, esta realidade de “deitar cedo e cedo erguer”, “a quem madruga, Deus ajuda” tem grandes vantagens.

(1) Aproveitam-se bem os dias de viagem, tendo em conta que agora viajamos mais lentamente, com mais paragens.

(2) Chegamos cedo a todo o lado, leia-se antes de chegarem as hordas de turistas, aqueles que vão no tal mini bus.

(3) Temos os lugares só para nós, para tirar fotografias sem aparecer a senhora gorda das meias brancas e chapéu de palha… ou para trocar uma fralda com uma cagada monumental numa praia deserta apenas debaixo do olhar atento dos Moais de Anakena.

(4) Temos sempre lugar nos restaurantes, mesmo aqueles moderninhos da moda que aparecem na crónica do NyTimes. É certo, estamos a jantar as 20h, ainda é de dia e o restaurante está vazio, mas conseguimos ou não conseguimos uma reserva encima da hora???

Escolher o Hotel

10. Aburguesar um pouco!

A sério, o barato sai caro. Já nos aconteceu ficar num quarto em que as janelas vedavam mal e fazia tanto frio dentro como fora do quarto. Outra vez, o berço não tinha colchão, só uma manta dobrada aos altos e baixos sem uma base por baixo que ao menos oferecesse suporte uniforme… lição aprendida.

Não vale a pena, o que se poupa no quarto de hotel, pode gastar-se depois na urgência pediátrica. Um hotel melhorzinho também costuma ter melhor pequeno almoço e podemos aproveitar para levar a fruta da manha e um iogurte para o lanche e evitar idas extra ao supermercado.

11. Location, location, location.

Para mim, um hotel melhorzinho também significa um hotel melhor localizado, com uma farmácia á volta da esquina, por exemplo.

Ao pé de um supermercado. Com um restaurante porreiro ali ao lado, para aquele dia em que o miúdo está meio adoentado, ou nós esgotados! Num bairro onde seja agradável passear com o carrinho. Onde seja fácil apanhar um taxi e a corrida não custe uma fortuna porque o hotel fica longe de tudo o que queremos visitar.

Mesmo nos casos em que o objetivo da viagem é visitar algo mais remoto, como um parque natural, ou um lugar arqueológico, eu prefiro ficar na povoação mais próxima onde há serviços como a bendita dupla da farmácia e do supermercado, do que ficar à porta do parque, no meio da natureza e a rezar para que não me tenha esquecido de nada importante na bagagem.

São opções. Eu prefiro gastar no hotel e poupar na bagagem…

Fazer as malas

12. Menos é mais!

Neste ponto o meu objetivo foi sempre tratar de viajar post-bébé com a mesma bagagem com que viajava pre-bébé. Leia-se: uma mala de cabine ou mochila por adulto. Ainda que isso implique reduzir na minha roupa. Para extras, temos agora o carrinho de bébé e a mochila das fraldas.

Enquanto o meu filho era lactante foi mais ou menos fácil. Quando começou a introduzir sólidos, foi mais complicado manter o desafio da bagagem reduzida porque tínhamos que levar a comida atrás.

Com o tempo, e à medida que o meu filho começou realmente a comer de tudo, aprendemos a viajar com o essencial:
-2 mudas de roupa por dia de viagem (prefiro ter que lavar roupa à mão no lavatório do que levar roupa a mais)
-5 fraldas por dia (se acabarem, compra-se mais pelo caminho)
-1 manta (costuma andar sempre uma na mochila das fraldas)
-1 termômetro e paracetamol

-os artigos de higiene do bébé também vão em embalagens com formato de viagem para não ocupar tanto espaço

-1 biberon de agua, 1 biberon de formula. Nunca levei parafernália para esterilizar os biberons. Quando chegava à sala dos pequenos almoços pedia para ferverem o biberon por 10min na cozinha. A minha experiência diz-me que as pessoas são bastante amáveis com os pais viajantes com crianças pequenas. Gradualmente estamos a substituir as doses de formula por leite de vaca e vamos comprando os pacotinhos individuais ao longo da viagem.

-Comida só para o primeiro dia de viagem. Este tem sido talvez o maior desafio para mim: convencer o meu filho a comer o que houver em vez da comida lá de casa. Dependendo do país, nem sempre os restaurantes tem um pratinho de arroz com frango ou sopa do dia. No Chile, por exemplo, a sopa invariavelmente tem ají picante.

-Um luxo: a ovelha que é uma caixa de música para dormir que deve de ser o animal de estimação mais viajado de sempre. É bom ter algo que nos lembre da nossa casa. Não levo brinquedos, um quarto de hotel novo já é excitação suficiente. Quase sempre temos que desligar o telefone do quarto para evitar chamadas inadvertidas para a recepção… ou para Miami! Suponho que no futuro teremos que levar algum livro para entreter nas viagens de avião.

Normalmente há lápis para colorir a bordo, mas se optar por levar lápis próprios, deram-me a dica que aqueles lápis facetados em forma de triangulo não rolam para o chão…

É claro que viajar com a bagagem tão reduzida funciona para mim porque sigo a teoria do hotel melhorzinho (ver 6 e 7 acima) e conseguimos desenrascar os imprevistos e as perdas. Já perdemos de tudo, gorros, chuchas, biberons…

Isto aplica-se tanto a viagens de avião, como para viagens de carro. É preciso resistir à tentação de levar a casa as costas. Viajar com menos tralha simplifica bastante a logística.

Para começar temos sempre o carrinho de bébé que não tínhamos antes de ter filhos. Diz a lei de Murphy que temos o bébé ao colo e o carrinho na mão porque o puto está farto de estar sentado. Imaginam a cena? Esquecia-me da mochila das fraldas.

Agora imaginem que estão de puto ao colo, carrinho na mão e mochila das fraldas a carregar/descarregar 1, 2 …com quantas malas é que querem mesmo viajar?

Para mais tarde recordar:

Provavelmente o meu filho não se vai lembrar que esteve aqui ou ali com 18 meses.

Vai recordar através das fotografias e das histórias que eu lhe contar.

Podemos plantar o bichinho viajante desde cedo.

Criar pequenos rituais como, por exemplo, enviar um postal á antiga para os avós. Ou comprar alguma recordação (um livro ou um brinquedito alusivo ao lugar), em cada viagem que fizermos juntos.

Um dia, quando crescer, terá uma bela coleção, desde um galo de Barcelos de peluche a um jogador de futebol argentino de trapos…

Written by racingmackerel
Portuguesa, Expat, viajeira apaixonada. Extrovertida, Sensorial, Emocional e Percetiva. Financeira de profissão. Psicóloga por curiosidade. Emigrante e viajante por paixão. Idioma: portuñol.